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AULA 5: CRÍTICA AO PSICOLOGISMO

Publicado em 17/01/2020

AULA 5: CRÍTICA AO PSICOLOGISMO

O ambiente científico em final do século XIX e início do século XX estava marcado pela disputa epistemológica entre dois grupos: os psicologistas e os logicistas. Em discussão estava a divergência quanto ao fundamento teórico que se dava para a ciência. Desta forma, Frege, Russell e outros lógicos empreendiam esforços para vincular a Matemática à Lógica e assim torná-la uma ciência sem contradições. Frege demonstrava em seus estudos como a Aritmética é pura lógica. 

E assim, enquanto a Lógica atestava o sistema de verdades matemáticas se teria conseguido escrever a Aritmética conforme um sistema lógico, sem contradições, verdadeiro. A empreitada era grande, pois esse trabalho deveria mostrar concretamente que todas as proposições matemáticas podem ser expressas na terminologia lógica e se deveria demonstrar também que todas as proposições matemáticas verdadeiras são as expressões verdadeiras para a lógica. O logicismo foi muito importante e se constituiu no ponto de partida para o desenvolvimento da Lógica Matemática Moderna. 

Um dos pensadores que servirá de fundamento para o psicologismo é o empirista John Stuart Mill. A tendência era de se abandonar os dados da intuição em vista da construção de sistemas formais e realizar assim a unificação da ciência. O Positivismo só piorou essa questão. Hussserl estava diante de uma oposição dura entre objetivismo e subjetivismo. Desenvolve-se a posição de um psicologismo lógico que objetivava assimilar a lógica à psicologia. Também poderíamos dizer da existência de um psicologismo semântico que reduz as significações linguísticas às entidades psicológicas e um psicologismo epistemológico que reduz o conhecimento a um processo psicológico.

Conforme Cavalieri¹ , as questões relativas ao sujeito e à subjetividade foram eliminadas da práxis científica. A psicologia considerava essas dimensões sob a ótica do naturalismo ou fisicalismo, de forma que ao se definir a consciência a considerava como um conjunto de reações físico-químicas que ocorriam no cérebro.

Assim, os psicologistas defendiam que tanto a lógica quanto as demais ciências tinham sua fundamentação teórica na psicologia do pensamento. Portanto, tanto o objeto do conhecimento como o próprio pensamento eram reduzidos a fatos e operações psíquicas, desconsiderando a infraestrutura lógica do pensamento.

Husserl inaugura a fenomenologia escrevendo entre os anos de 1900 e 1901 as Investigações lógicas. E, logo no primeiro volume se dedica inteiramente na análise da psicologia e do psicologismo. Para ele é impossível alcançar a apoditicidade (necessidade e universalidade) da verdade sem a idealidade das significações lógicas e das significações em geral. Por isso, as leis lógicas que são o sustentáculo da ciência não podem fundamentar-se na psicologia, que é uma ciência empírica, sem a precisão das regras lógicas. 

Assim, o psicologismo revela-se infrutífera, pois não consegue resolver o problema fundamental da teoria do conhecimento, ou seja, o problema de como é possível alcançar a objetividade. Como é possível que o sujeito cognoscente alcance com certeza e evidência uma realidade que lhe é exterior e cuja existência é heterogênea à sua?

O psicologismo se origina do naturalismo e ambos tendem a anular a dualidade ou a diferença entre o sujeito e o objeto, afirmando que a única realidade é a natureza.

Tudo é natural ou físico, a consciência é uma expressão vaga do que se costuma atribuir a eventos físico-fisiológicos ocorridos no cérebro e no sistema nervoso. Para o psicologismo tudo deveria ser reduzido a entidades empíricas observáveis e assim a teoria do conhecimento seria uma psicologia.

O psíquico não é uma coisa, mas um fenômeno. O fenômeno é a consciência enquanto fluxo temporal de vivências e cuja peculiaridade é a imanência e a capacidade de outorgar significação às coisas exteriores. A consciência, sendo estudada em sua estrutura imanente ela surge como possibilidade do conhecimento, como consciência transcendental.

A postura psicologista redunda na impossibilidade do conhecimento científico enquanto conhecimento universal e necessário. É um engano teórico que compromete a possibilidade do pensamento.

Mas, o interesse de Husserl pela psicologia é muito grande e faz uma proposta de uma psicologia fenomenológica²  que trata efetivamente da subjetividade e do psiquismo humana a partir da consciência intencional. Para ele, é preciso resgatar as bases filosóficas de uma ciência rigorosa do psíquico, superando assim a crise da psicologia positivista e cientificista. Esse projeto pela busca de uma psicologia fenomenológica está nas obras finais de seu pensamento: “Psicologia fenomenológica” de 1925; “Artigo da Enciclopédia Britânica” de 1927; “Conferências de Amsterdam” de 1928; e “A crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental” de 1936.

A filosofia é em todos os sentidos e de pleno direito a única ciência absolutamente rigorosa porque fornece a si própria os seus fundamentos e dos de todas as ciências, sejam elas, puras ou empíricas.


¹ CAVALIERI, Edebrande. A via a-teia para Deus e a ética teleológica a partir de Edmund Husserl. Vitória: EDUFES, 2013.
² GOTO, T.A. Introdução à Psicologia Fenomenológica: A Nova Psicologia de Edmund Husserl. São Paulo: Paulus, 2015.


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